Para começar o post de hoje, onde falarei sobre catarse, quero compartilhar alguns sentimentos expressados em mensagens que recebi aqui pelo blog. Vejamos:

“Estou tentando passar em medicina há 5 anos e não tenho sucesso. Estudo o tempo todo, não faço outra coisa e mesmo assim não consigo passar no Enem e no vestibular.”

“Tenho um bom emprego, ganho bem, sou respeitado na minha área, profissionalmente estou onde sempre quis estar, trabalho o tempo todo e gosto do que faço, mas não entendo por que tem sido cada vez mais difícil levar essa vida.”

“Quero muito passar em um concurso público, mas não estou conseguindo me concentrar nos estudos. Fico o tempo todo trancado no quarto, desligo o celular, não vejo televisão, não saio. Parece que quanto mais eu estudo, menos aprendo.”

Talvez você conheça alguém que já tenha dito frases semelhantes. Além disso, acredito que muitas pessoas se identificarão imediatamente com esse tipo de sofrimento emocional.

Vivemos em uma sociedade que estimula produtividade constante, desempenho elevado e cobrança permanente. No entanto, quanto mais algumas pessoas tentam aumentar o controle sobre a própria rotina, mais cansadas, frustradas e emocionalmente esgotadas acabam ficando.

Consequentemente, muitos começam a usar estimulantes, aumentam a carga de estudos, reduzem momentos de lazer e se isolam socialmente. Ainda assim, os resultados continuam insuficientes ou, em muitos casos, pioram.

Ao longo da experiência clínica, percebo que muitas pessoas acreditam que repetir intensamente o mesmo comportamento produzirá automaticamente melhores resultados. No entanto, nem sempre funciona assim.

Por isso, costumo dizer aos pacientes que, para obter resultados diferentes, muitas vezes também precisamos desenvolver comportamentos diferentes.

É exatamente nesse contexto que entra o conceito de catarse.

Imagem representando catarse e desgaste emocional diante da pressão da rotina
Muitas vezes, descansar emocionalmente também faz parte do caminho para crescer e conquistar objetivos.
Elídio Almeida, psicólogo em Salvador, especialista em terapia de casal e relacionamentos.

O que é catarse?

O termo catarse existe desde a Grécia Antiga e era utilizado para descrever o envolvimento emocional profundo entre uma pessoa e uma obra artística.

Além disso, na psicanálise, catarse refere-se à expressão emocional de conteúdos internos reprimidos, permitindo alívio psicológico e reorganização emocional.

Na psicologia, de maneira mais ampla, a catarse pode ser entendida como experiências que promovem descarga emocional, sensação de liberdade, renovação subjetiva e reorganização interna.

Ou seja, são experiências que nos permitem sair temporariamente do peso da rotina e respirar emocionalmente.

Por que o excesso de cobrança prejudica a concentração?

Muitas pessoas acreditam que dedicar-se exclusivamente ao trabalho ou aos estudos é a fórmula ideal para o sucesso. No entanto, em muitos casos, isso termina produzindo exatamente o contrário.

Quanto mais a pessoa permanece imersa em uma única atividade, maiores podem ser:

  • o desgaste emocional;
  • a fadiga mental;
  • a perda de motivação;
  • a dificuldade de concentração;
  • e a sensação de esgotamento.

Consequentemente, surgem sintomas como:

Na prática clínica, percebo que muitos estudantes extremamente dedicados começam a apresentar rendimento pior justamente porque vivem sem pausas emocionais adequadas.

Além disso, muitas pessoas passam a interpretar esses sintomas apenas como “falta de força de vontade”, quando, na verdade, o corpo e a mente já estão saturados.

A importância das experiências de liberdade emocional

Vou tentar explicar isso de forma mais simples.

Sabe quando você começa a ler um livro e perde completamente a noção do tempo? Ou quando escuta uma música que parece conversar diretamente com você? Ou ainda quando assiste a um filme e, por alguns momentos, esquece completamente dos problemas da rotina?

Essas experiências possuem potencial catártico.

Além disso, a catarse acontece porque existe identificação emocional com aquilo que está sendo vivido.

Consequentemente, a pessoa sente alívio, renovação emocional e uma espécie de reorganização subjetiva.

O mais importante é entender que esses momentos não representam perda de tempo. Pelo contrário: eles ajudam a recuperar energia emocional para continuar lidando melhor com a realidade cotidiana.

Qualidade de vida e equilíbrio psicológico

Ao longo dos atendimentos, observo que pessoas emocionalmente mais saudáveis costumam equilibrar responsabilidades com momentos genuínos de prazer, descanso e envolvimento emocional positivo.

Por isso, intercalar atividades profissionais com experiências catárticas torna-se extremamente importante.

Além disso, a catarse não precisa necessariamente envolver viagens caras ou mudanças radicais de vida.

Muitas vezes, pequenas experiências já produzem enorme impacto emocional:

  • ouvir música;
  • assistir séries;
  • ler;
  • praticar esportes;
  • sair com amigos;
  • viajar;
  • ir ao teatro;
  • assistir futebol;
  • frequentar shows;
  • dançar;
  • ou simplesmente descansar sem culpa.

Nesse sentido, o ócio também possui função psicológica extremamente importante.

Novelas, músicas e esportes também provocam catarse

Um exemplo clássico de catarse são as novelas.

Durante determinados horários, milhões de pessoas se envolvem emocionalmente com personagens, histórias e conflitos. Além disso, mesmo por algumas horas, deixam parcialmente de lado os próprios problemas cotidianos.

Da mesma forma, isso também ocorre com:

  • filmes;
  • séries;
  • músicas;
  • literatura;
  • esportes;
  • teatro;
  • dança;
  • e diferentes formas de arte.

As músicas, por exemplo, frequentemente despertam lembranças, emoções e experiências afetivas extremamente intensas.

Além disso, esportes também possuem forte potencial catártico.

Nem sempre é necessário praticar um esporte para vivenciar isso. Muitas vezes, torcer, acompanhar jogos e sentir-se emocionalmente envolvido já produz identificação, entusiasmo e sensação de pertencimento.

Consequentemente, essas experiências ajudam a “oxigenar” emocionalmente a rotina.

O problema de fazer sempre a mesma coisa

Lembra das frases apresentadas no início do texto?

Apesar das diferenças, todas possuem algo em comum: pessoas fazendo repetidamente a mesma coisa, sem espaço para descanso emocional.

Estudar o tempo todo. Trabalhar o tempo todo. Produzir o tempo todo.

No entanto, ninguém consegue viver de maneira saudável funcionando apenas em modo de cobrança constante.

Além disso, uma vida sem experiências emocionais renovadoras tende a produzir saturação psicológica.

Na experiência terapêutica, percebo que muitas pessoas chegam extremamente cansadas sem compreender que o problema não é apenas excesso de responsabilidade, mas ausência completa de experiências de liberdade emocional.

Como o desgaste emocional afeta os relacionamentos

Outro aspecto importante é que pessoas emocionalmente esgotadas também tendem a apresentar mais dificuldades nos relacionamentos.

Além disso:

  • tornam-se mais irritadas;
  • menos pacientes;
  • emocionalmente indisponíveis;
  • e frequentemente desconectadas afetivamente.

Consequentemente, conflitos cotidianos passam a ganhar proporções maiores e o relacionamento tende a ficar mais desgastado.

Por isso, cuidar da saúde emocional não beneficia apenas desempenho acadêmico ou profissional, mas também melhora significativamente a qualidade das relações interpessoais.

A importância do descanso emocional

O objetivo deste texto não é incentivar fuga permanente da realidade. Pelo contrário.

Na verdade, a ideia é compreender que ninguém consegue funcionar adequadamente vivendo apenas sob pressão, cobrança e desgaste contínuo.

Precisamos de experiências que tragam sensação de liberdade, prazer, identificação emocional e renovação subjetiva.

Além disso, muitas vezes não conseguimos reorganizar tudo isso sozinhos. Nesses casos, buscar ajuda psicológica pode ser extremamente importante.

Afinal, viver melhor também exige aprender a descansar emocionalmente.

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One Comment

  • N disse:

    Conteúdo muito interessante e pertinente! Obrigada por compartilhar, ‘acendeu uma luz’ por aqui! 😉

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