No dia 10 de junho, o telejornal Bahia no Ar, da Rede Record (TV Itapoan), exibiu uma reportagem especial sobre o Dia dos Namorados.
Na ocasião, participei da matéria em uma entrevista conduzida pelo repórter Gabriel Pinheiro e pela apresentadora Adriana Quadros. Durante a conversa, procurei dar destaque ao ciúme — sua função, o que o mantém e como ele pode ser manejado dentro da relação.
Na minha prática clínica, o ciúme é um tema recorrente na terapia de casal. Por isso, o Dia dos Namorados se mostrou um momento oportuno para alertar sobre os riscos que esse comportamento pode trazer para o relacionamento.
Ciúme no relacionamento: ele é mesmo um “tempero”?
Durante a reportagem, surgiu uma pergunta bastante comum: o ciúme pode ser considerado o “tempero” do relacionamento?
A partir dessa provocação, destaquei que esse é um mito bastante difundido. Isso porque, mesmo quando o ciúme parece positivo ou sinaliza envolvimento, seus efeitos tendem a ser negativos no médio e longo prazo.
Além disso, esse tipo de comportamento costuma favorecer padrões de desconfiança, insegurança e instabilidade na relação.
Ao mesmo tempo, considero fundamental o diálogo entre a psicologia e a população em geral, especialmente por meio da televisão. Em datas como o Dia dos Namorados, quando os relacionamentos estão em evidência, esse tipo de discussão se torna ainda mais relevante.
Por isso, vale o alerta: o ciúme, de forma recorrente, tende a trazer prejuízos para o casal. Assim, é importante aprender a reconhecer e manejar esse comportamento, buscando construir relações mais saudáveis.

Elídio Almeida, psicólogo em Salvador, especialista em terapia de casal e relacionamentos
Dia dos namorados: o que é o ciúme e como ele se manifesta?
O ciúme se traduz em padrões comportamentais bastante característicos, como buscas constantes por confirmação, questionamentos frequentes, proibições, brigas e choros. Em alguns casos, pode evoluir para comportamentos agressivos e até violentos.
Além disso, ele costuma gerar emoções intensas, como dor, raiva, tristeza, medo e baixa autoestima. Do ponto de vista físico, também pode provocar reações como taquicardia, falta de ar, boca seca e aperto no peito.
Embora seja mais comum em relacionamentos afetivo-amorosos — entre namorados ou casais — o ciúme também pode aparecer em outras relações, como entre irmãos, pais e filhos, colegas de trabalho e até em relação a objetos.
De modo geral, diferentes definições de ciúme apontam para três elementos centrais:
- Trata-se de uma reação a uma ameaça percebida;
- Envolve a presença de um rival, real ou imaginário;
- Tem como função reduzir ou eliminar o risco de perda do objeto amado.
Por fim, deixo aqui um convite à reflexão: reconhecer o ciúme é um passo importante, mas aprender a lidar com ele é essencial para a construção de relações mais equilibradas.
Feliz Dia dos Namorados!






