A violência contra a mulher foi o tema da entrevista que concedi hoje ao Jornal da Educadora, da Rádio Educadora FM da Bahia. A conversa abordou dados divulgados pelo Ipea — Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada — sobre os impactos da Lei Maria da Penha no combate aos casos de feminicídio e agressões contra mulheres no Brasil.

Durante a entrevista, destaquei que a violência contra a mulher continua sendo um dos problemas sociais mais graves da nossa sociedade. Além disso, ressaltei que o enfrentamento dessa realidade exige não apenas leis e punições, mas também mudanças culturais, emocionais e relacionais profundas.

Ao longo dos atendimentos clínicos, percebo que muitas mulheres permanecem em relações abusivas por medo, dependência emocional, insegurança financeira ou dificuldades emocionais construídas ao longo de anos de sofrimento psicológico.

Violência contra a mulher e feminicídio

Segundo os dados discutidos na entrevista, o feminicídiohomicídio motivado por questões de gênero — apresentou crescimento mesmo após a implantação da Lei Maria da Penha.

Na maioria dos casos, os crimes são praticados por parceiros ou ex-parceiros e acontecem em contextos marcados por controle, ameaças, intimidação, violência psicológica, agressões físicas ou abuso sexual.

Além disso, muitas relações violentas não começam com agressões físicas explícitas. Em diversos casos, o processo se inicia de maneira gradual, por meio de controle excessivo, isolamento, humilhações, ciúmes intensos, chantagens emocionais e tentativas constantes de diminuir a autonomia da mulher.

Na prática clínica, observo que muitas vítimas têm dificuldade de reconhecer inicialmente que vivem uma relação abusiva. Isso acontece porque a violência psicológica frequentemente surge misturada a demonstrações aparentes de cuidado, proteção ou amor.

Consequentemente, o sofrimento vai se tornando parte da rotina da relação.

Logotipo do Jornal da Educadora ilustrando entrevista de Elídio Almeida sobre violência contra a mulher e relações abusivas
A violência contra a mulher também se manifesta através do controle, do medo e do sofrimento emocional constante.
Elídio Almeida, psicólogo em Salvador, especialista em terapia de casal e relacionamentos.

Por que muitas mulheres permanecem em relações abusivas?

Essa é uma das perguntas mais frequentes quando discutimos violência contra a mulher. No entanto, a resposta não é simples.

Muitas pessoas imaginam que basta “querer sair” da relação. Porém, a dinâmica da violência costuma envolver medo, culpa, dependência emocional, ameaças, baixa autoestima e desgaste psicológico intenso.

Além disso, em muitos relacionamentos abusivos existe um ciclo emocional bastante complexo. Após episódios de agressão ou violência, frequentemente surgem pedidos de desculpas, promessas de mudança, momentos de afeto e tentativas de reconciliação. Isso acaba produzindo esperança e dificultando ainda mais o rompimento.

Ao mesmo tempo, muitas mulheres enfrentam dificuldades financeiras, ausência de apoio familiar ou medo das consequências após a separação.

Na experiência terapêutica, percebo que algumas vítimas passam anos tentando evitar conflitos, modificar o próprio comportamento ou minimizar situações de violência na tentativa de preservar a relação. Infelizmente, isso costuma ampliar ainda mais o sofrimento emocional.

A importância da rede de apoio e da informação

Combater a violência contra a mulher exige acolhimento, informação e fortalecimento das redes de apoio.

Por isso, durante a entrevista, também destaquei a importância de buscar ajuda especializada diante de qualquer situação de abuso, ameaça ou agressão. Em muitos casos, o isolamento emocional faz com que a vítima acredite que está sozinha ou que não será compreendida.

No entanto, existem serviços psicológicos, redes de proteção, delegacias especializadas e profissionais preparados para auxiliar mulheres em situação de violência.

Além disso, discutir esse tema nos meios de comunicação ajuda a ampliar a conscientização social e a combater a naturalização de comportamentos abusivos que ainda aparecem com frequência em muitos relacionamentos.

Falar sobre violência contra a mulher não significa discutir apenas agressões físicas. Significa também refletir sobre controle, medo, humilhação, manipulação emocional e relações marcadas pelo sofrimento constante.

A entrevista foi transmitida pela Rádio Educadora FM da Bahia, na frequência 107,5 FM.

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