Desde o dia 21 de dezembro, o jornal A Tarde vem apresentando a série Atitudes Positivas, do jornalista Diego Barreto, com reportagens que mostram problemas crônicos e corriqueiros da sociedade. Ao mesmo tempo, a proposta é convidar o leitor a refletir sobre de que forma podemos construir um Ano Novo mais positivo.

A série destaca que cada um de nós pode melhorar a convivência e as relações interpessoais em nossa sociedade, trazendo demandas e opiniões de especialistas. Hoje, na penúltima reportagem (Atitudes positivas: em 2013, seja um bom vizinho), o tema central é a difícil convivência entre vizinhos, com a minha participação enquanto psicólogo.

Na ocasião, destaquei a importância da assertividade no processo das relações sociais e na construção de uma convivência mais saudável — algo que não se limita à vizinhança, mas se estende a diferentes contextos da vida.

Se considerarmos que a agressividade é prejudicial a todos os envolvidos e que a inassertividade traz prejuízos àqueles que não conseguem se expressar, torna-se necessário encontrar um caminho em que todos tenham seus direitos respeitados e, principalmente, possam “sair ganhando”.

Ilustração de vizinhos em janelas representando convivência e comportamento assertivo nas relações sociais em Salvador
A forma como nos comunicamos pode transformar conflitos em convivência saudável
A convivência saudável começa pela forma como nos comunicamos com o outro.
Elídio Almeida, psicólogo em Salvador, especialista em terapia de casal e relacionamentos

Atitudes positivas e assertividade: qual o caminho possível?

Essa é a premissa do comportamento assertivo. Trata-se de um tipo de comportamento que privilegia o direito que todo indivíduo possui de se expressar, sentindo-se bem, sem culpas, remorsos ou arrependimentos. Ao mesmo tempo, permite agir em função dos próprios interesses, afirmando opiniões sem ansiedade indevida, constrangimentos e sem desconsiderar os direitos alheios.

No entanto, no dia a dia, muitas pessoas confundem o comportamento assertivo com o inassertivo. Isso ocorre porque tendem a acreditar que, para ser assertivo, é necessário concordar com os outros. Na prática, a assertividade está muito mais relacionada ao diálogo claro, racional e franco, na exposição de opiniões e pensamentos, além da capacidade de negociar para que todos convivam da melhor forma possível — mesmo diante de opiniões diferentes.

Por exemplo, um torcedor do Bahia pode conviver de forma respeitosa com um torcedor do Vitória utilizando o comportamento assertivo. Em um tempo em que tanto se fala sobre conviver com as diferenças, desenvolver essa habilidade torna-se essencial.

Assertividade nas relações: da vizinhança ao relacionamento amoroso

Embora o exemplo da vizinhança seja bastante comum, esse tipo de comportamento se faz ainda mais necessário nas relações mais próximas.

Na minha prática clínica, observo com frequência que dificuldades de comunicação estão na base de muitos conflitos, especialmente nos relacionamentos amorosos. Quando uma pessoa não consegue se posicionar, tende a acumular insatisfação. Por outro lado, quando se comunica de forma agressiva, acaba gerando afastamento e desgaste emocional.

Nesse sentido, a assertividade aparece como um recurso fundamental para a construção de relações mais saudáveis, equilibradas e duradouras.

Ser assertivo exige construção

A assertividade, enquanto conduta a ser adotada na prática, exige um repertório comportamental bem desenvolvido para sustentar esse posicionamento.

Para ser assertivo, é preciso saber o que se quer, conhecer direitos e deveres, reconhecer potenciais e limites e, sobretudo, saber se expressar com transparência, lógica e boa argumentação.

Além disso, é fundamental desenvolver a escuta. Ou seja, ouvir o que o outro tem a dizer com atenção, respeitando seu ritmo e seu contexto.

Da mesma forma, a empatia ocupa um papel central nesse processo. Colocar-se no lugar do outro não significa concordar com tudo, mas compreender o contexto em que o comportamento ocorre.

Por fim, considerar as consequências das próprias atitudes — a curto, médio e longo prazo — é o que sustenta relações mais maduras e responsáveis.

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