Ano passado, fiz um post falando sobre o comportamento de dizer “não”, no qual abordei três categorias de comportamento que precisamos observar: comportamento inassertivo, comportamento agressivo e comportamento assertivo. Agora, darei início a uma série de posts em que aprofundarei cada uma dessas categorias. Para abrir a série, vamos falar sobre o comportamento inassertivo.

Elídio Almeida, psicólogo em Salvador, especialista em terapia de casal e relacionamentos.
O comportamento inassertivo
Imagine a seguinte situação:
Lucas é um calouro na faculdade e, logo nos primeiros dias de aula, começa a fazer novos amigos. No final de semana, ele é convidado para uma festa na casa de um colega. Durante o encontro, surge uma roda de conversa e um dos amigos oferece maconha ao grupo.
Todos aceitam prontamente, exceto Lucas, que nunca fumou e nunca teve vontade de experimentar. Nesse momento, ele entra em conflito, pois considera que os amigos foram gentis ao convidá-lo e teme que possam não reagir bem à recusa.
Então, mesmo sem vontade, Lucas aceita o cigarro e ainda tenta demonstrar que já teve experiências semelhantes, buscando causar uma boa impressão.
O conflito interno
Podemos imaginar os pensamentos de Lucas:
“Se eu disser não, vão me achar infantil?”
“Será que vão insistir?”
“E se eu perder o controle?”
“E se minha mãe souber?”
Dessa forma, ele passa a se preocupar cada vez mais com a opinião dos outros, deixa de ser sincero consigo mesmo e, provavelmente, sente remorso por ter feito algo que não queria.

Elídio Almeida, psicólogo em Salvador, especialista em terapia de casal e relacionamentos.
Características do comportamento inassertivo
Observe que Lucas deixou de expressar seus sentimentos e opiniões em benefício dos outros. Esse tipo de comportamento é mais comum do que imaginamos e pode gerar dificuldades nas relações sociais, afetivas e profissionais.
Isso acontece porque exige um alto investimento emocional, frequentemente acompanhado de ansiedade e sentimento de culpa.
A forma como Lucas respondeu à situação é chamada de comportamento inassertivo, ou seja, um padrão marcado por inibição, timidez e dificuldade de expressão adequada de sentimentos e opiniões. A pessoa tende a ceder à vontade alheia, guardar seus desejos e, muitas vezes, pensar na resposta ideal apenas depois que a situação já passou.
De onde vem o comportamento inassertivo?
Muitas vezes, a inassertividade está relacionada ao histórico de punições ao longo da vida.
Pessoas que, em algum momento, foram criticadas ou punidas ao expressar seus sentimentos, opiniões ou desejos, podem aprender que se posicionar é arriscado. Isso pode ter origem na infância, com figuras parentais, ou em fases mais recentes da vida, como no ambiente de trabalho.
Ser inassertivo evita problemas?
Quando agimos de forma inassertiva, buscamos evitar conflitos imediatos ao ceder ou obedecer.
No entanto, esse comportamento tende a fortalecer a posição do outro, fazendo com que ele assuma cada vez mais controle sobre a situação.
Com o tempo, a pessoa pode vivenciar perda de autonomia, além de sentimentos de frustração, impotência e culpa, que acabam se estendendo para diferentes contextos: escola, trabalho, família e relacionamentos.
Por que as pessoas se aproveitam?
Quando alguém não consegue expressar seus limites, pode transmitir a ideia de que está sempre disponível para atender às demandas alheias.
Na minha prática clínica, observo com frequência relatos de pessoas que sentem que estão sendo exploradas. E, de fato, algumas pessoas acabam se aproveitando dessa dificuldade de posicionamento, reforçando ainda mais esse padrão.
O risco de mudar de forma abrupta
É importante destacar que algumas pessoas inassertivas, em determinado momento, tentam fazer com que suas opiniões sejam respeitadas.
No entanto, por não saberem como se posicionar de maneira equilibrada, acabam reagindo de forma agressiva.
Esse movimento é comum e será o tema do próximo post da série, no qual abordarei o comportamento agressivo.







Parabéns,
Excelente temática, o artigo esta muito bem escrito.
Tenho 41 anos e muitas e muitas vezes me sentir assim, vc conseguiu atingir em cheio meus pensamentos e sentimentos.
Parabéns,
O seu artigo está muito bem elaborado. Você consegue abordar de forma clara e objetiva um assunto muito interessante, por está intrínsico a nossa personalidade e que muitas vezes não conseguimos definir.
Bom dia; Dr. Elidio gostei do seu post e confesso que sou tudo que vc relatou, minha duvida é como fazer pra deixar de ser assim, pois sofro muito isso, a maior parte do tempo fico de cabeça baixa para as outras pessoas, e depois me pego pensando por que sou assim e como poderia deixar de ser assim. Por favor responda. Agradeço desde já e tenha um otimo dia.
Olá Rodrigo. Obrigado pela participação. Sugiro dar uma olhada no post sobre assertividade aqui no blog [http://elidioalmeida.com,br/2011/06/comportamento-assertivo-pensar-agir-e-ser-diferente-sendo-respeitado/]. Penso que procurar um psicólogo também pode ajudar bastante. Abraço.
Olá Rodrigo!
Obrigado pela pergunta.
Então, compreenda o que sente e posso imaginar o quanto tem sofrido com isso. Deixar a inassertividade requer o investimento em uma série de comportamentos e estratégias novas para enfrentar as situações que causam tais dificuldades. Normalmente as pessoas conseguem bons resultados com a psicoterapia comportamental, mas a observação constante dos comportamentos inadequados, associados a mudanças de atitude podem ajudar bastante. O ideal é que tenha um suporte profissional pra isso. Mas vale sempre a pena mudar. É como costumo dizer a meus pacientes: para termos resultados diferentes precisamos ter comportamentos diferentes. Se puder ajudar em algo estarei a disposição.
Muito bom gostei ;0
Meu namorado me cobra muito por não conseguir conversa com ele de igual pra igual, não consigo dizer que o amo que sou feliz, simplesmente não consigo falar, fica tudo na cabeça não consigo colocar pra fora.
Me ajude, me diga o que fazer,tenho um trauma de quando era criança, nunca conseguir falar isso pra ninguém, preciso de uma luz.
Olá Samea!
Obrigado pelo contato e pala participação. Considero altamente importante que você busque um profissional psicologia de sua confiança para tratar sobre essa questão e para que você possa receber acompanhamento adequado. Podendo ajudar estar a disposição.
nossa como nos podemos deixar tanto as outras pessoas agirem sobre nos, todos tem uma forma de lidar com essa experiencia que é tentar entender o que o outro fala ou pensa, seu post abre minha cabeça para uma mudança, no meu caso o silencio tomou conta de mim, e nossa é perturbador esse sentimento, mas felizmente eu sei que eu posso mudar, voce teria alguma dica elidio de como sobre sair dessa timidez , desse comportamento inacertivo? seria ter cara de pau e dar um f*da-se sobre os pensamentos negativos?
Olá Renato!
Obrigado pela participação.
Compreendo o que vc fala e acredite muitas pessoas tem passado por situação semelhante e também que encontrado suporte para resolver essas questões através da psicoterapia comportamental. Concordo contigo quando diz que a inassertividade e comportamentos como a timidez podem ser mudados, mas essa mudança não significa exatamente ser cara de pau ou dar um f03@-se aos pensamentos negativos, pois assim poderíamos sair da inassertividade para a agressividade e isso na maioria das vezes não legal também. Se quiser pode dar uma lida nos posts sobre agressividade aqui no blog, ou se for possível procure um psicólogo de sua confiança para apurar melhor a questão. Podendo ajudar estarei a disposição. Obrigado pelo contato.
Muito bem feito o texto e eu me identifiquei muito
Olá. Tenho esse problema no meu relacionamento. Por ser uma relação gay, não sei se influência na inassertividade da minha namorada. Mas pelo que ela diz, ela tem muita dificuldade em se expressar, a mãe acaba controlando o que ela deve ou nao fazer. Ela tem medo de machucar as pessoas que ama e acaba deixando de ser quem é por nao saber diZer não. Além da dificuldade de falar quando estamos em discussão, ou até mesmo pra escolher um sabor de pizza. Não sei mais o que fazer pra tentar ajudar, pra ter paciência.
Muito obrigada doutor. Enviei a matéria para ela e tentarei fazer o possível para ajudá-la. Não tem sido facil, mas quero ter paciência e compressão. Irei propor a terapia.
Olá Rafa!
Parabéns pelo seu empenho em prol do seu relacionamento.
Olá Núbia, fico feliz que tenha gostado. Sucesso.
Olá Juciléia. Obrigado! Este é um assunto que frequentemente é tema nas sessões de terapia comigo. Fico satisfeitos quando as pessoas conseguem identificar essa característica tão prejudicial e mudar seus comportamentos. Abraço.