No dia 16 de setembro de 2014, foi ao ar, no telejornal Band Cidade, da Band Bahia, uma matéria sobre o perigo de reagir a assalto. Para produzir a reportagem, a equipe da emissora esteve em meu consultório e colheu minha participação como psicólogo.
Durante a entrevista, procurei destacar dois pontos. Primeiramente, expliquei algumas razões que podem levar uma pessoa a reagir durante uma abordagem, mesmo quando ela conhece as recomendações de segurança. Em seguida, falei sobre os possíveis efeitos psicológicos dessa experiência e a importância de identificar situações de risco para agir de forma preventiva.
Compreender essas reações ajuda a evitar julgamentos contra quem sofreu a violência. Ao mesmo tempo, conhecer as orientações de segurança pode reduzir os riscos diante de uma situação tão imprevisível.
Por que alguém pode reagir durante um assalto?
Constantemente, ouvimos que ninguém deve reagir a um assalto. Ainda assim, existem casos em que a pessoa se movimenta, tenta fugir, enfrenta o agressor ou permanece completamente imóvel durante a abordagem.
Essas respostas nem sempre resultam de uma decisão racional e planejada. Diante de uma ameaça, o organismo pode iniciar rapidamente uma reação de defesa. O coração acelera, a respiração muda, os músculos ficam tensos e a atenção se concentra no perigo.
Nesse momento, podem surgir respostas de luta, fuga ou congelamento. Cada uma delas envolve mecanismos físicos e emocionais que ajudam o organismo a lidar com uma ameaça. Além disso, a percepção do perigo, o contexto e as experiências anteriores influenciam o comportamento.
Por isso, não devemos tratar toda reação como irresponsabilidade ou desprezo pela própria segurança. Em algumas situações, a pessoa age antes de conseguir avaliar conscientemente todas as consequências.
Entretanto, essas respostas não correspondem necessariamente a um reflexo simples. O comportamento humano diante do perigo envolve aprendizagem, percepção e análise das possibilidades disponíveis naquele momento.

O perigo de reagir a assalto
Compreender as respostas automáticas não significa considerar o enfrentamento seguro. A principal orientação continua sendo evitar reações, resistência e movimentos bruscos. Durante uma abordagem, um gesto inesperado pode receber uma interpretação equivocada e aumentar o perigo. A pessoa pode tentar alcançar a carteira, retirar o cinto de segurança ou entregar um objeto. No entanto, quem pratica o crime pode interpretar o movimento como uma tentativa de reação.
Por isso, sempre que possível, procure avisar antes de colocar a mão em bolsas, bolsos ou outros locais. Além disso, evite discutir, perseguir o agressor ou tentar recuperar os bens por conta própria. A responsabilidade pela violência pertence a quem ameaça, agride ou utiliza uma arma. Ainda assim, conhecer o perigo de reagir a assalto ajuda a compreender por que a orientação de não enfrentamento deve permanecer em destaque.
Depois que o agressor sair e houver segurança, procure a polícia e relate o ocorrido. Bens materiais podem ser recuperados ou substituídos. A vida, porém, deve ocupar sempre o primeiro lugar. Uma experiência como essa também pode produzir medo, dificuldade para dormir, insegurança e maior atenção a possíveis ameaças. Algumas pessoas recuperam gradualmente a sensação de segurança. Outras permanecem com sofrimento intenso e encontram dificuldade para retomar a rotina.
Quando essas reações persistem ou comprometem a vida pessoal e profissional, a ajuda psicológica pode contribuir para compreender os efeitos da experiência e desenvolver estratégias de enfrentamento.
Confira minha participação no Band Cidade
Na matéria, expliquei por que algumas pessoas reagem mesmo depois de receberem orientações para não fazer isso. Também destaquei os riscos dos movimentos inesperados e a importância de priorizar a própria segurança.
A entrevista apresentou uma oportunidade para discutir o comportamento humano diante do perigo e ampliar a compreensão sobre respostas que podem surgir rapidamente. Além disso, reforçou a importância da prevenção e das orientações oferecidas pelas autoridades de segurança.
Confira no vídeo abaixo minha participação no Band Cidade, da Band Bahia:






