Bullying e comportamento assertivo são temas fundamentais quando pensamos nas marcas que experiências de violência, exclusão e dificuldade de posicionamento podem deixar ao longo da vida. Ao longo dos atendimentos, observo que muitas dificuldades nos relacionamentos adultos têm raízes em vivências escolares marcadas por agressividade, silêncio ou insegurança para se expressar. Foi justamente sobre esse tema que fui entrevistado pela revista Gestão Educacional, ao abordar o desenvolvimento da assertividade como forma de prevenção ao bullying.

Elídio Almeida, psicólogo em Salvador, especialista em terapia de casal e relacionamentos
Bullying e comportamento assertivo no ambiente escolar
O comportamento agressivo, expresso de forma física ou verbal, caracteriza o bullying e representa um dos problemas mais graves enfrentados em diferentes contextos sociais. No entanto, o ambiente escolar concentra a maior parte dessas ocorrências. Apelidos, humilhações, isolamento e agressões físicas não apenas ferem quem sofre, mas também revelam um contexto relacional fragilizado.
Além disso, quando observo essas dinâmicas na clínica, percebo que muitas pessoas não aprenderam, ao longo da infância, formas mais saudáveis de se posicionar. Como consequência, acabam oscilando entre a passividade e a agressividade. Esse movimento impacta diretamente a forma como constroem e sustentam seus relacionamentos.
Como o bullying impacta os relacionamentos
Ao falar de bullying, considero fundamental analisar os fatores culturais, sociais e históricos que atravessam tanto a vida de quem sofre quanto de quem agride. Esses elementos influenciam comportamentos, formas de comunicação e maneiras de lidar com conflitos. Além disso, também é importante observar como esse fenômeno foi compreendido ao longo do tempo e em quais circunstâncias ele tende a se manifestar com mais intensidade.
Nesse sentido, experiências repetidas de humilhação ou exclusão podem contribuir para o desenvolvimento de inseguranças, dificuldades de confiança e medo de exposição. Mais tarde, essas marcas tendem a aparecer nos relacionamentos amorosos, familiares ou profissionais. Muitas vezes, dificultam a construção de vínculos mais saudáveis e equilibrados.
O papel da assertividade na prevenção
Termos como delinquência, indisciplina e problemas de conduta frequentemente aparecem como formas de nomear comportamentos semelhantes ao bullying. No entanto, essas manifestações sempre estiveram presentes no contexto escolar. Portanto, não se trata de um fenômeno novo. O que mudou, por outro lado, foi o avanço dos estudos científicos, que passaram a investigar com mais profundidade suas causas, consequências e possibilidades de intervenção.
Diante disso, considero que o desenvolvimento do comportamento assertivo é uma das ferramentas mais importantes na prevenção do bullying. Quando uma criança aprende a se posicionar com clareza, respeito e segurança, ela amplia sua capacidade de estabelecer limites e de se relacionar de forma mais equilibrada com o outro.
Além disso, a assertividade não contribui apenas para a redução de comportamentos agressivos no ambiente escolar. Ela também favorece a construção de relações mais saudáveis ao longo da vida, baseadas em diálogo, respeito mútuo e responsabilidade emocional.
A entrevista tem como objetivo compartilhar essas reflexões com educadores, incentivando a adoção de práticas mais conscientes no ambiente escolar. A revista Gestão Educacional é uma publicação mensal da Humana Editorial (Curitiba/PR) e poderá ser adquirida nas bancas de todo o país a partir de 1º de maio. Em breve, a entrevista também estará disponível aqui no blog.






