No dia primeiro de janeiro de 2013, participei de uma entrevista na BandNews FM Salvador para falar sobre ansiedade, início da faculdade e as frustrações que podem surgir nesse período de transição.
Nesse momento do ano, é comum fazermos uma retrospectiva: lembramos das metas e objetivos traçados, das conquistas alcançadas e também daquilo que não saiu como planejado — o que, muitas vezes, nos leva a sentimentos de frustração.
Na minha prática clínica, observo que esse movimento de olhar para o passado pode ser extremamente importante. A partir dele, conseguimos identificar acertos, reconhecer erros e, sobretudo, planejar mudanças mais consistentes para o futuro. Além disso, esse processo contribui diretamente para formas mais saudáveis de lidar com a ansiedade.
Se você planejou comprar um carro, um apartamento, fazer uma viagem, conquistar um novo emprego, novos amigos ou até mesmo um relacionamento — e conseguiu realizar —, esse é, sem dúvida, um momento de comemorar e traçar novos objetivos.
Por outro lado, quando aquilo que foi planejado não se concretiza, a experiência tende a ser diferente. Nesse caso, além da quebra de expectativa, surge também um sentimento de insatisfação, que frequentemente se manifesta como frustração.
Frustração e ansiedade: qual é a relação?
Sentir-se frustrado por não atingir uma meta ou realizar um objetivo faz parte da experiência humana. Afinal, quando criamos expectativas, investimos emocionalmente nelas — e, por isso, é natural que o descontentamento apareça quando o resultado não corresponde ao esperado.
No entanto, algumas pessoas apresentam maior dificuldade em lidar com esse processo. Nesses casos, a frustração não é apenas um sentimento passageiro, mas algo que pode gerar sofrimento intenso, ansiedade e até bloqueios diante de novas tentativas.
Quando isso acontece, observo que há, muitas vezes, uma baixa tolerância à frustração — ou seja, uma dificuldade em aceitar que nem tudo ocorre conforme o planejado.
Ansiedade no início da faculdade: por que isso acontece?
O ingresso na faculdade costuma representar um momento de grandes mudanças. Trata-se de uma fase marcada por novas responsabilidades, escolhas importantes e, muitas vezes, por um aumento significativo da pressão interna e externa.
Além disso, existe uma expectativa social de que esse período seja vivido com segurança e clareza — o que nem sempre corresponde à realidade. Pelo contrário, é comum que surjam dúvidas, inseguranças e ansiedade.
Na minha prática clínica, percebo que muitos jovens chegam a esse momento com a sensação de que precisam acertar “de primeira”, como se não houvesse espaço para erros ou revisões de rota. Essa crença, por si só, já é suficiente para intensificar o sofrimento.

Elídio Almeida, psicólogo em Salvador, especialista em terapia de casal e relacionamentos
Como lidar melhor com a ansiedade e a frustração?
Diante desse cenário, é fundamental desenvolver uma relação mais flexível com as próprias expectativas. Isso significa reconhecer que nem todos os planos se concretizam da forma como imaginamos — e que isso não invalida o processo.
Além disso, aprender a lidar com a ansiedade envolve:
- reconhecer os próprios limites;
- ajustar expectativas de forma mais realista;
- compreender que mudanças fazem parte do desenvolvimento;
- e, principalmente, permitir-se experimentar sem a necessidade de perfeição.
Nesse sentido, a psicoterapia pode ser um espaço importante para ampliar o repertório emocional e comportamental, ajudando a pessoa a lidar melhor com frustrações, ansiedade e processos de mudança — como o início da vida universitária.






