Hoje é sexta-feira 13 e vamos falar sobre comportamento supersticioso. Para muitas pessoas, essa data carrega a ideia de azar. No entanto, vale a pena refletir sobre o que está por trás dessas crenças.
Muita gente já ouviu — e, em alguns casos, até acredita — que passar por baixo de escadas traz má sorte, que uma vassoura atrás da porta expulsa visitas indesejadas ou que um gato preto cruzando o caminho anuncia algo ruim. Além disso, há aqueles rituais de fim de ano que muita gente realiza “só por garantia”. Afinal, quem nunca disse: “não acredito muito, mas vai que funciona”?
Pois bem, essas são algumas das superstições bastante presentes no nosso cotidiano e que remetem a ideias de sorte ou azar.
O que é comportamento supersticioso?
Do ponto de vista da psicologia comportamental, falar em sorte ou azar não faz muito sentido. Isso porque esses fenômenos não possuem relação direta de causa e efeito com os comportamentos que tentam explicar.
Por outro lado, faz bastante sentido falar em comportamento supersticioso.
Chamamos de comportamento supersticioso aquele em que uma ação qualquer coincide, por acaso, com um determinado resultado. Como essa coincidência ocorre de forma próxima no tempo, a pessoa passa a acreditar que existe uma relação entre os dois eventos — mesmo quando ela não existe.
Por exemplo, imagine alguém que usa sempre a mesma “camisa da sorte” quando seu time joga. Se o time vence, essa pessoa pode atribuir o resultado à camisa, mesmo sabendo, racionalmente, que a vitória depende do desempenho dos jogadores.

Elídio Almeida, psicólogo em Salvador, especialista em terapia de casal e relacionamentos
Por que continuamos repetindo essas crenças?
Nesse tipo de situação, o comportamento é reforçado de forma acidental. Ou seja, a pessoa repete a ação porque acredita que ela influencia o resultado.
No entanto, não existe uma relação real entre o comportamento e a consequência. O que ocorre é a atribuição de uma causa equivocada a um evento que aconteceu por coincidência.
Esse mesmo raciocínio pode ser aplicado a diversas situações do dia a dia. Por exemplo, colocar uma vassoura atrás da porta pode coincidir com a saída de uma visita. A partir disso, a pessoa passa a acreditar que a vassoura “funciona”.
Por outro lado, também é possível compreender que, ao desejar que a visita vá embora, a pessoa passa a emitir outros comportamentos — como demonstrar desinteresse ou encerrar a conversa. Esses comportamentos, sim, podem influenciar a saída da visita.
O que a ciência diz sobre superstição?
O comportamento supersticioso foi estudado por B. F. Skinner. Antes dele, o filósofo David Hume já sugeria que muitas superstições surgem de hábitos que, em algum momento, pareceram fazer sentido, mas cujas explicações se perderam ao longo do tempo.
Um exemplo clássico é a crença de que passar por baixo de uma escada traz azar. É possível imaginar que, em algum momento, alguém tenha passado por uma escada e sofrido um acidente. A partir daí, a relação foi generalizada de forma equivocada.
Ou seja, a coincidência foi interpretada como causa.
Comportamento supersticioso: como isso afeta nossas relações e decisões?
O problema é que essas crenças não ficam restritas a situações pontuais. Muitas vezes, elas passam a influenciar decisões importantes e até a forma como nos relacionamos.
Ao longo dos atendimentos, observo que padrões supersticiosos podem impactar diretamente a forma como uma pessoa interpreta situações, reage emocionalmente e se posiciona em seus relacionamentos. Em alguns casos, isso também aparece na terapia de casal, especialmente quando crenças rígidas interferem na comunicação, na tomada de decisões e na forma de lidar com conflitos.
Além disso, pessoas muito supersticiosas podem experimentar prejuízos significativos em sua vida, justamente por evitarem situações, restringirem comportamentos ou tomarem decisões baseadas em interpretações equivocadas.
Vale a pena repensar essas crenças?
Por isso, é importante refletir sobre as reais relações de causa e efeito que influenciam o nosso comportamento. Esse tipo de reflexão pode abrir espaço para mudanças importantes e para decisões mais conscientes.
Muitas vezes, o que parece sorte ou azar é apenas uma coincidência interpretada de forma equivocada.
Então, antes de atribuir um resultado a uma superstição, vale a pena observar melhor o contexto e os comportamentos envolvidos.
E, claro, excelente sexta-feira 13 para você.






