Dor de cabeça como desculpa para não fazer sexo é uma frase bastante comum nos relacionamentos e até virou um clichê cultural ao longo dos anos. Recentemente, recebi uma imagem curiosa relacionando sexo, endorfina e alívio da dor de cabeça. A partir disso, resolvi pesquisar melhor o tema e refletir sobre como sexualidade, desejo e relacionamento também se conectam emocionalmente.
Ao buscar informações sobre o assunto, encontrei estudos relacionando atividade sexual, liberação de endorfinas e redução da percepção da dor. Assim, a clássica desculpa da dor de cabeça para evitar o sexo passou a ganhar uma nova camada de discussão.

Elídio Almeida, psicólogo em Salvador, especialista em terapia de casal e relacionamentos.
Dor de cabeça como desculpa para não fazer sexo: o que diz a ciência
A matéria que circulou na internet fazia referência a um estudo da Universidade de Münster, na Alemanha, publicado na revista Cephalalgia.
Na pesquisa, alguns pacientes que sofriam com crises de enxaqueca foram orientados a manter relações sexuais durante episódios de dor. Segundo os relatos apresentados, muitos participantes perceberam melhora significativa ou até desaparecimento dos sintomas após a atividade sexual.
A principal hipótese levantada pelos pesquisadores envolve a liberação de endorfinas durante o sexo.
As endorfinas são substâncias produzidas naturalmente pelo organismo e costumam estar associadas:
- ao prazer;
- à sensação de bem-estar;
- ao relaxamento;
- e à redução da percepção da dor.
Consequentemente, algumas pessoas realmente podem experimentar alívio temporário das dores de cabeça após relações sexuais.
Entretanto, sexo não deve ser tratado como remédio
Apesar disso, é importante ter bastante cuidado com interpretações simplistas sobre o tema.
Na prática clínica, percebo que muitas discussões sobre sexualidade acabam sendo reduzidas a frases prontas ou generalizações que ignoram a complexidade emocional e física das relações humanas.
Dor de cabeça possui inúmeras causas possíveis:
- estresse;
- tensão emocional;
- ansiedade;
- alterações hormonais;
- problemas neurológicos;
- fadiga;
- privação de sono;
- entre outros fatores.
Além disso, nem toda pessoa consegue relaxar ou sentir prazer quando está em sofrimento físico ou emocional.
Por isso, sexo não deve ser encarado como substituto de acompanhamento médico ou tratamento adequado.
Dor de cabeça como desculpa para não fazer sexo pode esconder problemas no relacionamento
Em muitos relacionamentos, entretanto, a questão central não está propriamente na dor de cabeça.
Ao longo dos atendimentos, observo que algumas pessoas utilizam justificativas físicas para evitar relações sexuais justamente porque existe:
- desgaste emocional;
- distanciamento afetivo;
- dificuldade de diálogo;
- ressentimentos acumulados;
- baixa conexão emocional;
- ou insatisfação dentro da relação.
Nesses casos, portanto, o problema deixa de ser apenas sexual e passa a envolver a dinâmica emocional do casal.
Consequentemente, insistir apenas na frequência sexual sem compreender o contexto emocional costuma aumentar ainda mais os conflitos.
Em muitos casos, a dor de cabeça como desculpa para não fazer sexo acaba revelando dificuldades emocionais e conflitos que o casal ainda não conseguiu conversar de maneira aberta.
Desejo sexual também depende da relação emocional
Muitas pessoas acreditam que desejo sexual funciona de maneira automática. Entretanto, a sexualidade humana sofre influência direta:
- das emoções;
- do vínculo afetivo;
- da autoestima;
- do estresse;
- e da qualidade do relacionamento.
Além disso, quando existem mágoas, críticas constantes, distanciamento ou dificuldades de comunicação, o desejo frequentemente diminui.
Na experiência terapêutica, percebo que muitos casais tentam resolver dificuldades sexuais focando apenas no ato sexual, sem observar os fatores emocionais que sustentam o problema.
Comunicação e assertividade no relacionamento
Quando a dor de cabeça aparece repetidamente como justificativa para evitar intimidade, talvez seja importante ampliar a conversa sobre o relacionamento como um todo.
Isso não significa invalidar sintomas físicos reais. Pelo contrário.
Entretanto, também pode ser necessário refletir:
- como anda a conexão emocional do casal;
- se existem conflitos não resolvidos;
- se há sobrecarga emocional;
- ou se o relacionamento perdeu espaço para diálogo, carinho e intimidade afetiva.
Ao longo do trabalho clínico que desenvolvo, percebo que relacionamentos saudáveis costumam se fortalecer quando existe comunicação mais assertiva, acolhimento emocional e liberdade para falar sobre desconfortos sem culpa ou julgamento.
Terapia de casal e dificuldades na vida sexual
Quando dificuldades sexuais começam a gerar sofrimento constante, afastamento emocional ou conflitos repetitivos, a terapia de casal pode ajudar o casal a compreender melhor aquilo que está acontecendo.
Muitas vezes, o problema não está apenas no sexo em si, mas na maneira como o casal vem se relacionando emocionalmente ao longo do tempo.
Além disso, compreender as necessidades afetivas, emocionais e individuais de cada pessoa costuma ser fundamental para reconstruir intimidade, proximidade e conexão dentro da relação.
Afinal, sexualidade saudável não se sustenta apenas pelo desejo físico, mas também pela qualidade emocional do vínculo construído entre o casal.







Parabéns nego,serei sempre sua fã,te admiro demais!