O uso excessivo do celular foi o tema da entrevista que concedi para a TV Detran sobre os impactos do smartphone no comportamento humano, especialmente no trânsito e nas relações interpessoais.
A gravação aconteceu na região do Shopping Iguatemi, em Salvador, e abordou os riscos do uso do celular ao dirigir, além das consequências emocionais, sociais e comportamentais associadas ao uso exagerado da tecnologia no cotidiano.
Durante a entrevista, também ampliei reflexões já discutidas anteriormente aqui no blog sobre dependência digital, dificuldades de interação social e os impactos do excesso de conexão virtual na vida das pessoas.

Elídio Almeida, psicólogo em Salvador, especialista em terapia de casal e relacionamentos.
Uso excessivo do celular e prejuízos nas relações
O uso excessivo do celular transformou profundamente a forma como as pessoas se relacionam, trabalham, descansam e interagem socialmente.
Embora os smartphones tragam inúmeras facilidades, também favorecem padrões de comportamento marcados por distração constante, ansiedade, dependência emocional da conectividade e dificuldades crescentes de presença nas relações presenciais.
Nos atendimentos clínicos, observo que muitas pessoas já apresentam enorme dificuldade de permanecer desconectadas, mesmo em momentos importantes da vida afetiva, familiar ou profissional.
Além disso, o uso excessivo do celular frequentemente interfere na qualidade das conversas, da escuta emocional e da convivência cotidiana.
Muitas vezes, casais relatam sensação de abandono emocional mesmo estando fisicamente próximos, justamente porque a atenção permanece constantemente direcionada ao aparelho.
O uso excessivo do celular no trânsito
Durante a entrevista para a TV Detran, também discutimos os riscos do uso do celular ao dirigir.
Hoje, muitas pessoas utilizam o aparelho enquanto dirigem para:
- responder mensagens;
- acessar redes sociais;
- gravar vídeos;
- utilizar aplicativos;
- ou acompanhar notificações.
No entanto, pequenas distrações no trânsito podem produzir consequências extremamente graves.
Ao dirigir, qualquer divisão de atenção reduz a capacidade de percepção, aumenta o tempo de reação e favorece acidentes.
Além disso, o uso excessivo do celular no trânsito costuma estar associado a uma necessidade constante de conexão imediata, dificuldade de tolerar espera e sensação de urgência permanente.
Na prática clínica, percebo que muitas pessoas já vivem em estado contínuo de hiperestimulação mental, como se precisassem permanecer disponíveis o tempo inteiro.
Dependência digital e habilidades sociais
Outro ponto importante discutido durante a entrevista foi o impacto do uso excessivo do celular nas habilidades sociais.
Embora a tecnologia aproxime pessoas virtualmente, ela também pode reduzir experiências importantes de convivência presencial, diálogo, escuta, tolerância emocional e interação humana direta.
Ao longo dos atendimentos, observo adolescentes, adultos e até crianças com dificuldades crescentes de:
- sustentar conversas presenciais;
- lidar com silêncio;
- tolerar frustrações;
- desenvolver vínculos mais profundos;
- ou permanecer atentos ao ambiente ao redor.
Consequentemente, muitas relações acabam ficando mais superficiais, aceleradas e emocionalmente frágeis.
Tecnologia, equilíbrio e saúde emocional
É importante destacar que o problema não está no celular em si, mas na forma como ele passa a organizar a rotina emocional e comportamental das pessoas.
O uso excessivo do celular costuma se tornar problemático quando começa a:
- comprometer relações;
- reduzir produtividade;
- aumentar ansiedade;
- prejudicar sono;
- gerar isolamento;
- ou colocar a própria segurança em risco.
Na experiência terapêutica, percebo que desenvolver equilíbrio no uso da tecnologia se tornou uma necessidade cada vez mais importante para preservar saúde emocional, qualidade dos relacionamentos e bem-estar psicológico.
Por isso, discutir uso excessivo do celular também significa refletir sobre limites, presença emocional e qualidade das conexões humanas.






