A sexomnia é um tipo de sonambulismo. Como você já deve saber, o sonâmbulo é a pessoa afetada por um transtorno do sono que a leva a emitir comportamentos enquanto dorme.

Na maioria dos casos, essas pessoas apenas se levantam da cama e caminham pelo quarto ou pela casa. No entanto, alguns indivíduos podem apresentar comportamentos mais complexos, chegando até a ter relações sexuais durante o sono. Quando isso ocorre, estamos diante de um distúrbio conhecido como sexomnia, ou sonambulismo sexual.

Distúrbios do sono e a sexomnia

Existem diversos distúrbios relacionados ao sono. Insônia, apneia obstrutiva do sono e sonambulismo são os mais conhecidos, mas não são os únicos.

O terror noturno e a sexomnia são exemplos menos divulgados. No terror noturno, a pessoa pode gritar e aparentar estar aterrorizada. Já na sexomnia, ela manifesta comportamentos sexuais enquanto dorme, podendo inclusive consumar uma relação sem ter consciência do que está fazendo.

Qualquer distúrbio do sono pode gerar desconforto e riscos, tanto para o próprio paciente quanto para terceiros. Por isso, é importante compreender esses fenômenos e suas consequências.

Homem acordado ao lado de mulher dormindo, representando sexomnia e comportamentos durante o sono que afetam o casal
“A sexomnia pode gerar comportamentos durante o sono que impactam a segurança, o consentimento e a dinâmica do casal.”
Elídio Almeida, psicólogo em Salvador, especialista em terapia de casal e relacionamentos.

Como é feito o diagnóstico da sexomnia?

O diagnóstico adequado é realizado em clínicas especializadas, por meio do monitoramento das ondas cerebrais.

Em casos positivos, os exames indicam um padrão neurológico distinto dos estados normais de sono e vigília. A pessoa pode aparentar estar acordada, mas permanece em sono profundo.

Estudos mostram que áreas do cérebro responsáveis pela visão, movimento e emoção podem estar ativas, enquanto regiões ligadas à memória e ao pensamento racional continuam inativas. Isso explica como alguém pode falar, caminhar, cozinhar, dirigir ou até ter relações sexuais sem consciência do que está fazendo.

Sexomnia e consentimento: uma questão delicada

Uma das questões mais sensíveis relacionadas à sexomnia diz respeito ao consentimento.

Na minha prática clínica, não é incomum ouvir relatos de pessoas que se sentem invadidas ou até violentadas por seus parceiros durante episódios desse tipo. Muitas dessas experiências geram sofrimento significativo e conflitos no relacionamento.

Por isso, esse é um tema que exige um debate responsável. Afinal, cada situação exige uma análise cuidadosa, considerando os aspectos clínicos, emocionais e relacionais envolvidos.

Sexomnia seria desejo reprimido?

Em algumas abordagens da Psicologia, há a hipótese de que comportamentos associados à sexomnia possam estar ligados a desejos reprimidos.

No entanto, é importante considerar também os aspectos biológicos e neurológicos envolvidos. Como vimos, há evidências de que alterações fisiológicas e padrões cerebrais específicos influenciam esses comportamentos.

Portanto, reduzir a sexomnia apenas a conteúdos reprimidos pode ser uma simplificação de um fenômeno mais complexo.

Quando buscar ajuda profissional?

Diante de situações como essa, é fundamental evitar conclusões precipitadas.

Em meu Consultório, costumo priorizar a investigação de possíveis causas orgânicas antes de considerar outras hipóteses. Esse cuidado permite uma compreensão mais precisa do fenômeno e orienta intervenções mais adequadas.

Conviver com distúrbios do sono pode ser prejudicial. No entanto, conviver com dúvidas, conflitos e silêncio pode ser ainda mais danoso. Portanto, buscar ajuda profissional é um passo importante para compreender o que está acontecendo e encontrar formas mais seguras e responsáveis de lidar com a situação

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