A autossabotagem é um comportamento mais comum do que se imagina e pode explicar por que muitas pessoas acabam prejudicando seus próprios resultados, mesmo quando desejam mudar.

Por exemplo, você conhece alguém que, na véspera de uma prova importante, decide sair, exagera e no dia seguinte não consegue ter um bom desempenho? Ou alguém que, prestes a ser promovido, comete erros básicos e acaba comprometendo a própria oportunidade?

Essas situações podem parecer ilógicas. No entanto, elas aparecem com frequência e, muitas vezes, estão relacionadas a padrões de autossabotagem.

O que é autossabotagem

A autossabotagem, também chamada de auto boicote, é a tendência de repetir atitudes que dificultam ou impedem mudanças que poderiam trazer benefícios para a vida da pessoa.

Esse comportamento não ocorre por acaso. Em muitos casos, existe uma tentativa de evitar frustrações ou lidar com medos mais profundos. Além disso, podem existir ganhos secundários, mesmo que a pessoa não perceba isso de forma consciente.

Como a autossabotagem se manifesta

A autossabotagem pode aparecer de diferentes formas e níveis de intensidade. Em alguns casos, manifesta-se em pequenos descuidos do dia a dia.

Por exemplo, negligenciar estudos, compromissos ou cuidados pessoais. Em situações mais intensas, pode estar associada à baixa autoestima, vícios, ansiedade ou depressão.

Em casos extremos, pode envolver comportamentos autodestrutivos. Por isso, é importante observar os sinais com atenção.

Pessoa sob uma nuvem escura representando autossabotagem e padrões emocionais, tema abordado por Elídio Almeida psicólogo em Salvador
Muitas vezes, o maior obstáculo não está fora, mas na forma como reagimos a nós mesmos.
Elídio Almeida, psicólogo em Salvador, especialista em terapia de casal e relacionamentos

Por que as pessoas se sabotam

Muitas vezes, a autossabotagem funciona como uma estratégia de fuga. A pessoa evita enfrentar uma situação desafiadora e, com isso, reduz temporariamente a ansiedade.

Além disso, pode existir o medo do fracasso. Nesse caso, a pessoa prefere criar uma justificativa para o insucesso do que lidar com a possibilidade de não ter se preparado o suficiente.

Por outro lado, o medo do sucesso também pode estar presente. Algumas pessoas não se sentem capazes de sustentar conquistas e, por isso, evitam situações que poderiam levá-las a esse lugar.

O que é zona de conforto e como ela mantém a autossabotagem

Ao longo do tempo, esses comportamentos passam a se repetir. Assim, a pessoa recorre às mesmas estratégias e permanece na chamada zona de conforto.

No entanto, essa zona nem sempre representa bem-estar real. Em muitos casos, trata-se apenas de uma sensação momentânea de segurança, que evita o enfrentamento de desafios importantes.

Por isso, sair desse padrão exige disposição para lidar com o desconforto das mudanças.

A autossabotagem é consciente ou inconsciente

Nem sempre a autossabotagem é consciente. Em muitos casos, ela acontece de forma automática, como um padrão já aprendido.

Por isso, desenvolver consciência sobre esse comportamento é um passo fundamental. A partir desse reconhecimento, torna-se possível identificar os padrões e compreender os chamados ganhos secundários.

Esses ganhos podem incluir evitar críticas, frustrações ou sentimentos de inadequação.

Como parar de se autossabotar

Superar a autossabotagem exige mudança de comportamento. E, como sabemos, mudar nem sempre é simples.

No entanto, alguns passos podem ajudar:

  • reconhecer padrões repetitivos
  • identificar os ganhos secundários
  • desenvolver novas formas de enfrentamento
  • sair gradualmente da zona de conforto

Além disso, é importante testar novas formas de agir diante das mesmas situações.

Na experiência clínica, observo que a psicoterapia pode contribuir significativamente nesse processo, permitindo a construção de respostas mais saudáveis.

Como a autossabotagem afeta os relacionamentos

A autossabotagem também impacta diretamente os relacionamentos. Muitas vezes, padrões de comportamento se repetem em diferentes contextos, incluindo a vida afetiva.

Isso pode levar a escolhas recorrentes, dificuldades de comunicação e manutenção de relações insatisfatórias.

Por isso, compreender a autossabotagem não é importante apenas para o crescimento individual, mas também para a construção de relações mais saudáveis.

Como identificar a autossabotagem no dia a dia

A autossabotagem é mais comum do que parece. Muitas pessoas enfrentam esse padrão sem perceber.

Por isso, quanto antes houver reconhecimento, maiores são as chances de mudança. Além disso, observar comportamentos repetitivos, justificativas frequentes e dificuldades recorrentes pode ajudar a identificar esse processo.

Se você se identificou com esse conteúdo, vale a pena refletir sobre seus próprios padrões. Em muitos casos, o maior obstáculo não está nas circunstâncias, mas na forma como reagimos a elas.

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5 Comentários

  • J. disse:

    Bom dia,
    Sempre estou por aqui lendo os seus posts e são realmente muito bons.
    Me tire uma dúvida: Existe alguma relação entre autossabotagem e tdah em adultos?
    Grata,

    • Olá J.
      Obrigado pro mais uma participação e constante visita.
      Então, TDAH e Autossabotagem são dois padrões distintos de comportamento, embora possam se assemelhar em alguns sintomas e características.
      Basicamente a causa e o que mantém ambos é que destaca a diferença entre eles. Veja que a autossabotagem basicamente é originada e mantida pela repetição de comportamentos que geram consequências imediatas para os episódios. O TDAH, além de ser mantido por comportamentos aprendidos, pode ser origem em algum “defeito”orgânico, que faz com que a pessoas não consiga manter o foco em determinados episódios e não tenha controle sobre esse comportamento.
      Espero que tenha ajudado. Até o próximo, combinado?

  • Lilo disse:

    Me identifiquei bastante com o post principalmente com a citação “nem vale a pena tentar, pois como não vou conseguir mesmo, assim pelo menos a frustração é menor”. Ok primeiro e grande passo é entender a sua autossabotagem o que me parece difícil é a mudança de pensamento e consequentemente o comportamento.

    • Olá Lilo!
      Obrigado pela visita e pelo comentário.
      Você tem razão, identificar é o primeiro e mais acessível passo para enfrentarmos a autossabotagem. Todavia a mudança tende a se tornar mais fácil à medida que a gente vai conseguindo quebrar alguns rituais e avaliando sempre os resultados. Como costumo sempre dizer aos meus pacientes: para resultados diferentes, comportamentos diferentes. E é sempre legal a gente começar do mais fácil, para ganharmos forças para os mais difíceis.

  • san disse:

    Procrastinação. Sempre vou adiando atutudes que vão me fazer bem, como o estudo, a academia .. E isso acaba dificultando a minha evolução como pessoa e como profissional.
    No meu caso, tive alguns problemas na infância de estrutura familiar e hoje eu repito comportamentos auto destrutivos que aprendi e desenvolvi nessa época. É muito difícil mudar…

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