Suicídio é um tema que precisa ser tratado com atenção, responsabilidade e acolhimento. Como mencionei no post anterior sobre suicídio, pessoas com pensamentos suicidas geralmente emitem diversos sinais antes de tentar tirar a própria vida. Além disso, muitos desses sinais são reconhecíveis e previsíveis. Por isso, identificar esses comportamentos precocemente pode fazer enorme diferença na prevenção e no cuidado emocional.

Quanto mais cedo ocorrer o diagnóstico, o acolhimento psicológico e o tratamento adequado, maiores tendem a ser as chances de evitar uma tragédia.

Mulher sentada sozinha demonstrando isolamento emocional e sofrimento psicológico relacionado ao suicídio
Muitas pessoas em sofrimento emocional emitem sinais antes de uma tentativa de suicídio.
Elídio Almeida, psicólogo em Salvador, especialista em terapia de casal e relacionamentos.

Tentativas de suicídio são pedidos de socorro

Na prática clínica, percebo que tentativas de suicídio frequentemente funcionam como pedidos de ajuda extremamente dolorosos. Portanto, ainda que muitas vezes isso aconteça de forma inconsciente, a pessoa costuma emitir sinais importantes antes da tentativa.

Entretanto, um dos grandes problemas é que parte da sociedade ainda interpreta esses comportamentos como “drama”, “fraqueza” ou simples tentativa de chamar atenção. Consequentemente, muitos sinais acabam sendo ignorados.

Além disso, quando familiares e amigos percebem a gravidade da situação, às vezes o sofrimento emocional já atingiu um nível extremamente perigoso.

Por isso, toda comunicação relacionada ao desejo de morrer, desesperança, isolamento ou desistência da vida deve ser levada a sério. Afinal, comportamentos impulsivos associados ao sofrimento emocional podem aumentar significativamente o risco de suicídio.

Como saber se uma pessoa pode tentar se matar?

Nas relações de convivência, frequentemente conseguimos perceber mudanças importantes no comportamento das pessoas próximas. Por isso, observar alterações emocionais, falas recorrentes e mudanças bruscas de rotina pode ajudar na identificação precoce do sofrimento psíquico.

Além disso, existem sinais que aparecem com frequência em pessoas com risco aumentado para suicídio.

Sinais que podem indicar risco de suicídio

Entre os sinais mais frequentes, podemos destacar:

  • tentativa anterior de suicídio;
  • ansiedade intensa;
  • depressão;
  • alcoolismo;
  • quadros psicóticos;
  • sensação constante de exaustão emocional;
  • planejamento detalhado da tentativa;
  • acesso facilitado a meios letais;
  • despedidas indiretas;
  • elaboração de testamento;
  • falas recorrentes sobre morte;
  • desesperança constante;
  • isolamento social;
  • baixa autoestima;
  • sentimento persistente de culpa;
  • traumas recentes;
  • término de relacionamento;
  • luto;
  • histórico familiar de suicídio;
  • abuso de álcool e outras drogas;
  • e mudanças bruscas de comportamento.

Além disso, algumas pessoas apresentam melhora repentina do humor logo após decidir cometer o ato. Isso acontece porque, internamente, acreditam ter encontrado uma “solução” definitiva para a dor emocional.

Consequentemente, familiares podem interpretar equivocadamente essa melhora como sinal de recuperação.

O sofrimento emocional não deve ser ignorado

Ao longo dos atendimentos, observo que muitas pessoas em intenso sofrimento emocional sentem dificuldade de pedir ajuda diretamente. Por isso, frequentemente se comunicam através de comportamentos, afastamentos, frases pessimistas ou mudanças emocionais importantes.

Além disso, algumas pessoas começam a:

  • se despedir de maneira incomum;
  • distribuir objetos importantes;
  • evitar contatos sociais;
  • abandonar atividades antes prazerosas;
  • ou verbalizar sentimentos profundos de inutilidade.

Ainda assim, muitas famílias minimizam esses sinais. Consequentemente, o sofrimento tende a se intensificar ainda mais.

Buscar ajuda rapidamente é fundamental

Quanto mais cedo houver intervenção psicológica, psiquiátrica e suporte emocional, maiores costumam ser as possibilidades de prevenção.

Além disso, acolhimento, escuta qualificada e apoio familiar fazem enorme diferença nesse processo.

É importante lembrar que nem toda pessoa que fala sobre suicídio realmente deseja morrer. Muitas vezes, ela deseja interromper uma dor emocional que parece impossível de suportar naquele momento.

Por isso, jamais ignore frases relacionadas à morte, desistência da vida ou desesperança extrema.

Falar sobre suicídio pode salvar vidas

Conversar sobre suicídio de forma responsável não incentiva o ato. Pelo contrário. Informar, acolher e orientar ajuda a diminuir preconceitos e amplia as possibilidades de cuidado.

Além disso, psicoterapia, suporte familiar e tratamento adequado podem ajudar a reorganizar pensamentos, emoções e perspectivas de futuro.

Portanto, esteja atento aos sinais emitidos por pessoas próximas e também aos próprios sinais emocionais. Em muitos casos, oferecer escuta e ajuda profissional no momento certo pode salvar uma vida.

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5 Comentários

  • Vidha Costa disse:

    Eh incrivel, como uma pessoa pode pensar em tirar um presente de Deus que eh a vida, o sopro do amor maior… hoje meu irmao saiu daqui dizendo que ia se suicidar… não sei se acredito!

    • Olá Vidha Costa!
      Obrigado pela participação. Nem todas as pessoas pensam como você e em muitos casos as situações vividas por elas limitam seu entendimento para soluções para os problemas que por ventura estejam passando. Em todos os casos, nunca devemos subestimar quando uma pessoas anuncia que pensa em cometer suicídio, por mais que seja da boca pra fora, um mero desequilíbrio emocional pode ser fatal.

  • paulo disse:

    bom dos vintes sintomas me enquadro em vários,mas de alguns meses pra cá tenho tido uma piora intensa do que é a vida e se vale apena viver,nunca senti tanto desanimo e tanta ansiedade na minha vida,posso afirmar que perdi totalmente a esperança em tudo,ja fiz tratamento com psiquiatra e psicólogo porém nunca surgiu efeito,minha grande preocupação é a minha mãe num eventual sofrimento que éla pode ter de ver o filho dela com apenas 25 anos dentro de um caixão.

  • Olá Paulo!
    Compreendo que nao deve ser nada agradável passar por tudo isso, mas achei legal vc considerar o sofrimento de sua mãe caso desse seguimentos às desmotivações que lhe assolam. Uma pena que os tratamentos anteriores não surtiram o efeito esperado. Mesmo assim, como confio muito em minha profissão, sugiro que reconsidere a possibilidade de buscar novamente a psicoterapia. Talvez outro profissional possa lhe dar um suporte diferenciado e com isso vc pode descobrir outras formas de lidar com o que vem passando ao longo desse tempo. Pense nisso, combinado?

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