As tribos urbanas foram tema de uma matéria publicada pelo Jornal A Tarde, no último domingo, abordando o “maravilhoso e controverso mundo das tribos soteropolitanas”. Na reportagem, participei comentando aspectos psicológicos, sociais e comportamentais relacionados à formação desses grupos e à maneira como a sociedade costuma enxergá-los.
As tribos urbanas aparecem de diferentes formas na sociedade e costumam reunir pessoas com códigos, comportamentos, estilos, valores e formas de expressão semelhantes. Em muitos casos, esses grupos funcionam como espaços de pertencimento, identificação e construção da identidade pessoal.
Durante a matéria, discutimos como a sociedade frequentemente reage às tribos urbanas com preconceito, estranhamento ou estereótipos simplificados. Além disso, refletimos sobre a maneira como determinados grupos acabam sendo rotulados apenas por sua aparência, gostos ou comportamentos.

Elídio Almeida, psicólogo em Salvador, especialista em terapia de casal e relacionamentos.
O que são tribos urbanas?
As tribos urbanas são grupos sociais formados a partir de interesses, estilos de vida, preferências culturais e formas específicas de expressão coletiva.
Entre os exemplos mais conhecidos estão:
- emos;
- roqueiros;
- pagodeiros;
- hippies;
- micareteiros;
- skatistas;
- grupos LGBTQIAPN+;
- entre muitos outros.
Embora cada grupo tenha características próprias, todos compartilham algo importante: a necessidade humana de pertencimento.
Na prática clínica, observo que especialmente durante a adolescência e juventude muitas pessoas buscam grupos nos quais possam se sentir aceitas, compreendidas e representadas. Esse movimento faz parte do desenvolvimento emocional e social.
Além disso, participar de determinados grupos pode ajudar na construção da autoestima, da identidade e das habilidades sociais.
Preconceito, bullying e rotulação social
Infelizmente, nem sempre as diferenças são recebidas de forma respeitosa pela sociedade.
Muitas tribos urbanas acabam sendo associadas a estereótipos negativos, preconceitos ou interpretações superficiais. Consequentemente, muitas pessoas sofrem discriminação, exclusão social e até bullying simplesmente por não se encaixarem em determinados padrões culturais considerados “normais”.
Ao longo dos atendimentos, percebo que o sofrimento causado pela rejeição social pode produzir impactos importantes na autoestima, na segurança emocional e nos relacionamentos interpessoais.
Em muitos casos, adolescentes e jovens passam a esconder gostos, estilos ou características pessoais por medo de críticas, humilhações ou exclusão.
Além disso, algumas pessoas desenvolvem sentimentos intensos de inadequação justamente porque cresceram ouvindo que aquilo que gostam, vestem ou representam seria “errado”, “estranho” ou “inferior”.
A importância da identidade e do pertencimento
Apesar das críticas que frequentemente recebem, as tribos urbanas possuem importante função psicológica e social.
Esses grupos ajudam na construção da identidade individual e coletiva, além de favorecerem o desenvolvimento de códigos de convivência, vínculos afetivos e habilidades relacionais.
Na experiência terapêutica, observo que o sentimento de pertencimento costuma ser extremamente importante para a saúde emocional. Afinal, sentir-se acolhido e reconhecido por um grupo reduz sensações de isolamento e exclusão.
Isso não significa que toda influência grupal seja positiva. Em alguns casos, determinados grupos podem estimular comportamentos de risco ou reforçar padrões prejudiciais. No entanto, o problema não está necessariamente na existência da tribo urbana, mas na forma como cada indivíduo se relaciona com ela.
Por isso, durante a matéria, também discutimos a importância de compreender os diferentes contextos sociais e aprender a adaptar comportamentos aos ambientes que frequentamos, sem perder a própria identidade.
Tribos urbanas e convivência social
Conviver em sociedade exige contato com pessoas diferentes de nós. Portanto, aprender a lidar com diversidade, diferenças culturais e múltiplas formas de expressão é fundamental para relações mais saudáveis.
Muitas vezes, o preconceito nasce justamente daquilo que não conhecemos ou não compreendemos.
Por isso, discutir tribos urbanas também é uma forma de refletir sobre tolerância, convivência social, respeito às diferenças e construção da identidade nos relacionamentos humanos.
A matéria foi produzida pelo jornalista Ricardo Belens e contou com análises e opiniões do psicólogo Elídio Almeida sobre comportamento, pertencimento e as particularidades das tribos urbanas.






