A terapia de casal precisa dos dois parceiros para acontecer? Essa é uma dúvida bastante comum entre pessoas que consideram iniciar esse tipo de acompanhamento psicológico.

As possibilidades e formatos de atendimento psicológico são diversos. Existem modalidades como a terapia individual, familiar, em grupo e, naturalmente, a terapia de casal. No entanto, falar sobre questões íntimas na presença de outra pessoa pode gerar desconforto ou constrangimento, o que faz com que muitas pessoas se perguntem se a terapia de casal precisa dos dois parceiros para acontecer e como esse processo funciona na prática.

A terapia de casal precisa dos dois parceiros?

De modo geral, sim. A terapia de casal é um espaço terapêutico voltado às questões do relacionamento. Portanto, trata-se de um processo que envolve os dois parceiros, já que ambos fazem parte — direta ou indiretamente — da dinâmica que está sendo trabalhada.

Isso não impede que o relacionamento seja abordado em uma psicoterapia individual. No entanto, esse formato possui objetivos e dinâmicas diferentes, já que o foco estará na experiência de apenas uma das partes.

Homem e mulher discutindo em ambiente doméstico, representando conflito no relacionamento e necessidade de terapia de casal
“A terapia de casal envolve a participação dos dois, pois o foco está na relação e não apenas em um dos parceiros.”
Elídio Almeida, psicólogo em Salvador, especialista em terapia de casal e relacionamentos.

Por que a participação dos dois é tão importante?

Ao longo da minha prática como terapeuta de casais, observo que um dos principais entraves nos relacionamentos está relacionado à confiança.

Seja em situações de ciúmes, traição ou outros comportamentos que geram desgaste, é comum que a crise no relacionamento esteja acompanhada de uma fragilidade na confiança e, em muitos casos, até da sua ausência.

Nesse contexto, atender o casal separadamente para tratar questões do relacionamento pode ser prejudicial. Isso porque poderia reforçar a ideia de que algo está sendo dito ou construído “às escondidas”, o que vai na contramão daquilo que o processo terapêutico busca: transparência, segurança e reconstrução do vínculo.

Se o objetivo é restabelecer a comunicação, confiança e segurança, é fundamental que isso esteja presente desde o início do processo.

Existe alguma exceção?

Em alguns casos, sim. Como cada casal possui uma dinâmica própria, a condução da terapia de casal pode ser ajustada conforme a necessidade.

Situações marcadas por conflitos intensos, agressividade ou reatividade elevada podem demandar, em determinados momentos, atendimentos individuais. No entanto, mesmo nesses casos, costumo recomendar a presença dos dois na sessão inicial.

Por que a primeira sessão com os dois é tão importante?

É na sessão inicial que ambos têm a oportunidade de conhecer o terapeuta, ao mesmo tempo em que o profissional pode observar a dinâmica do casal de forma mais direta.

Além disso, esse primeiro contato conjunto contribui para a manutenção da neutralidade do terapeuta, já que a história começa a ser construída com a participação de todos. A partir daí, o casal pode tomar as decisões de forma consensual.

Evitar atendimentos paralelos desde o início também reduz o risco de interpretações equivocadas e ajuda a preservar a confiança no processo terapêutico.

De modo geral, portanto, a terapia de casal acontece com a participação dos dois, justamente porque o foco do trabalho é o relacionamento. Embora existam exceções, a presença conjunta tende a favorecer um processo mais transparente, equilibrado e efetivo.

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