Muitas pessoas vivem estressadas e ansiosas diariamente. Ao mesmo tempo, tentam manter uma rotina saudável, mas continuam enfrentando dificuldade para perder peso. Consequentemente, entram em conflito com o espelho, a balança e as próprias expectativas.
Se você também se sente ansioso, vive sob estresse e não consegue emagrecer como gostaria, vale compreender como esses elementos podem se relacionar. O estresse não explica sozinho as mudanças no corpo. Entretanto, pode influenciar a alimentação, o sono, a disposição para realizar atividades físicas e algumas respostas do organismo.
Por isso, cuidar do peso não significa apenas contar calorias ou exigir mais autocontrole. Também é importante observar a rotina, as emoções, as condições de saúde e os comportamentos que surgem nos momentos de maior tensão.
Como o estresse influencia a dificuldade para perder peso?
Uma rotina estressante pode produzir consequências no comportamento e no organismo. Quando a pessoa atravessa dias de tensão, talvez durma mal, sinta menos disposição ou abandone temporariamente atividades importantes. Além disso, pode modificar a quantidade, a frequência e o tipo de alimento que consome.
Algumas pessoas procuram alimentos mais calóricos em momentos de estresse porque eles oferecem prazer ou alívio imediato. Outras perdem o apetite. Portanto, não existe uma resposta única. Ainda assim, quando o consumo de determinados alimentos se torna frequente e acompanha uma rotina com pouca recuperação, o cuidado com o peso pode ficar mais difícil.
O estresse também pode influenciar respostas metabólicas depois das refeições. Um estudo publicado recentemente por pesquisadores da Universidade do Estado de Ohio, nos Estados Unidos, investigou justamente essa relação.
Os resultados ajudam a compreender um possível caminho entre acontecimentos estressantes e ganho de peso.
O que a pesquisa encontrou?
Os resultados da pesquisa foram divulgados em julho no periódico Biological Psychiatry. Os pesquisadores avaliaram 58 mulheres, com idade média de 53 anos. Entre elas, 38 tinham histórico de câncer de mama e 20 integravam o grupo de comparação.
Em dois momentos diferentes, cada participante permaneceu durante algumas horas no centro de pesquisa. No dia anterior, a equipe forneceu refeições padronizadas e orientou um período de jejum. Depois, as mulheres responderam a perguntas sobre acontecimentos estressantes recentes, como conflitos familiares, dificuldades com os filhos e problemas no trabalho.
Em seguida, elas receberam uma refeição com 930 calorias e 60 gramas de gordura. Os pesquisadores mediram o gasto energético, a utilização de gordura pelo organismo e os níveis de glicose, triglicerídeos, insulina e cortisol.
As mulheres que relataram pelo menos um acontecimento estressante no dia anterior gastaram, em média, 104 calorias a menos nas seis horas posteriores à refeição. Além disso, apresentaram menor oxidação de gordura e níveis mais altos de insulina depois de comer.
Os pesquisadores calcularam que, caso essa diferença acontecesse todos os dias durante um ano, ela poderia corresponder a quase cinco quilos. Entretanto, essa projeção não representa um ganho de peso observado. O estudo não acompanhou as participantes durante um ano nem demonstrou que elas necessariamente engordariam esse valor.

Elídio Almeida, psicólogo em Salvador, especialista em psicoterapia comportamental e relacionamentos.
Ansiedade, estresse e comportamento alimentar
Embora o estudo tenha investigado acontecimentos estressantes, e não transtornos de ansiedade, sabemos que a ansiedade também pode influenciar a alimentação. Preocupação constante, tensão e dificuldade para relaxar podem alterar a percepção de fome, saciedade e prazer.
Em alguns casos, a pessoa come para reduzir temporariamente o desconforto. Por exemplo, depois de um dia difícil, pode procurar doces, lanches ou outros alimentos associados a recompensa e acolhimento. O alívio aparece rapidamente, ainda que dure pouco.
Com o tempo, esse comportamento pode se repetir sempre que surge uma experiência desagradável. Assim, a alimentação passa a cumprir uma função emocional, além de atender às necessidades nutricionais do organismo.
Isso não significa falta de força de vontade. O comportamento alimentar envolve aprendizagem, emoções, disponibilidade de alimentos, rotina e ambiente. Portanto, culpar a pessoa não ajuda a compreender nem modificar o problema.
A ansiedade também pode afetar o sono. Consequentemente, o cansaço reduz a disposição para cozinhar, organizar refeições, praticar atividades físicas ou manter outros cuidados. Desse modo, diferentes fatores começam a atuar juntos e podem aumentar a dificuldade para perder peso.
A dificuldade para perder peso não possui uma causa única
Estresse e ansiedade podem influenciar o peso, mas não explicam todos os casos. Alimentação, sono, atividade física, medicamentos, condições hormonais, genética, idade e características do ambiente também participam desse processo.
Além disso, duas pessoas submetidas a rotinas parecidas podem apresentar respostas diferentes. Enquanto uma tende a comer mais diante do estresse, outra pode reduzir a alimentação. Da mesma forma, mudanças no peso não acontecem com a mesma velocidade para todas as pessoas.
Por isso, é importante evitar soluções genéricas e promessas rápidas. Uma estratégia que funciona para alguém talvez não atenda às necessidades de outra pessoa. O cuidado precisa considerar a história, a saúde, a rotina e os objetivos individuais.
A avaliação médica ajuda a investigar condições que influenciam o peso e a saúde metabólica. Ao mesmo tempo, o acompanhamento nutricional contribui para organizar uma alimentação adequada às necessidades da pessoa. A atividade física, quando recebe orientação apropriada, também pode integrar esse cuidado.
Quando o estresse, a ansiedade ou a alimentação emocional participam do problema, o acompanhamento psicológico pode complementar esse processo. Portanto, a abordagem multiprofissional costuma oferecer uma compreensão mais ampla.
Leia também: Terapia comportamental para combater a obesidade.
Como a psicoterapia pode ajudar diante da dificuldade para perder peso?
A psicoterapia não funciona como uma técnica direta de emagrecimento. Entretanto, pode ajudar a identificar situações, emoções e pensamentos que influenciam a alimentação e outros cuidados com a saúde.
Na psicoterapia comportamental, a pessoa analisa as circunstâncias que antecedem determinados comportamentos e as consequências que contribuem para sua repetição. Dessa forma, consegue compreender melhor por que abandona a rotina, come em momentos de tensão ou encontra dificuldade para manter mudanças.
Além disso, o processo pode ajudar a desenvolver estratégias para lidar com o estresse, organizar o cotidiano e construir objetivos mais realistas. A pessoa também pode aprender a reconhecer avanços que não aparecem imediatamente na balança, como melhora do sono, maior disposição e relação menos conflituosa com a alimentação.
Quando a ansiedade causa sofrimento significativo, a psicoterapia também contribui para compreender o que mantém esse quadro. Dependendo das necessidades, o psicólogo pode trabalhar em conjunto com médicos, nutricionistas e outros profissionais.
Se você enfrenta dificuldade para perder peso, evite transformar esse processo em uma guerra contra o próprio corpo. Procure entender quais fatores influenciam sua rotina e quais mudanças realmente cabem na sua vida.
Talvez o cuidado com o estresse e a ansiedade não produza sozinho a perda de peso desejada. Ainda assim, ele pode favorecer escolhas mais conscientes, uma rotina mais equilibrada e uma relação mais respeitosa com o corpo. Esse já representa um passo importante para cuidar da saúde e do bem-estar.







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